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domingo, 13 de abril de 2014

Sobre o céu, a terra, a água e o ar

Um abraço dos pais, um telefonema de uma tia e apertos de mãos dos colegas do colégio foram contabilizados, e nada mais. Em seu aniversário de dezesseis anos não ganhou nenhum presente. Edu não tinha muita perspectiva, e na monotonia passavam seus dias. Seu melhor amigo morava com ele. Enquanto os demais adolescentes do bairro iam para o campo gritar gol, ele empurrava botões com o pai de seu pai. Seu avô não tinha muito diálogo com seu próprio filho, e Edu também não.

Apesar de ter poucos amigos, ainda lhe restava os colegas do colégio, e estes, mesmo não crendo que Eduardo aceitaria, o convidaram pra festinha... E ele foi. Obviamente tudo estranho, até mesmo a garota que lhe falou. Ele basicamente resmungava, e ela, erroneamente, interpretava como tentativa de impressionar. Ela tratou de pegar o número do garoto. Nunca se sabe... - pensou. 
Ele havia bebido poucos goles de uma bebida que nem conhecia e se embriagou. Nisso, lembrou que havia marcado e furado algo com seu avô, e com o horário avançado, se preocupou. Vazou...

Ela não conseguiu esquecer o garoto... Ligou. Se encontraram uma, duas... Várias vezes. Edu , perdido, se encontrou nela. Edu, que pra vida não tinha motivo, além dela, conseguiu filhos. 
De tão improvável, tal relacionamento virou canção. E nela o poeta questiona: Quem um dia irá dizer que razão nas coisas feitas pelo coração? E quem um dia irá dizer que não existe razão?
Mônica, que nunca havia se perguntado se destino ou acaso, sorriu e chorou ao ouvir.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Poder, perdão

Era um homem que sempre repetia a oração ensinada por Jesus, e a fazia de forma atenciosa em cada frase.
Um dia, ele teve sua filha raptada e encontrou o homem que havia cometido tal crime. E estando a garota ainda em poder do raptador, esse pai tentou, de todas as formas que imaginou, arrancar daquele criminoso a informação do paradeiro de sua filha.
Após ter ido ao seu limite, e estando o criminoso quase sem vida,o homem foi orar, e as suas exatas e únicas palavras foram: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o Vosso nome. Venha a nós o Vosso Reino. Seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos daí hoje. Perdoai as nossas ofensas (silêncio).


Retirado e adaptado do filme Os Suspeitos (Prisoners), de 2013.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

SemAna

Ele descobriu que havia algo após a morte, e para ele era algo muito bom. Após aquilo, para Pedro, morrer passou a ter mais sentido, e mais, passou a ser algo querido. Pena que na descoberta ele soube que uma vez do lado de lá, ele se desligava totalmente do lado de cá. E tendo esse porém, a morte podia esperar... Afinal, Ana era um anjo.

Em sua descoberta, ele soube também que o suicídio não levava pra aquele lugar. E sua vida virou uma desgraça após a morte de Ana. Um bêbado ao volante a matou, o marcou...

Agora os dias de Pedro eram uma conta inexata a espera do seu fim. Pareciam infindáveis seus dias. E só havia se passado uma semana.

Ele havia perdido seu anjo, e estava prestes a perder o céu.

sábado, 31 de agosto de 2013

Saudadômetro

Não se viam com tanta frequência
E sempre que se viam falavam da saudade
Um falava que sentia mais, e o outro retrucava
Até que decidiram construir uma máquina...

Essa máquina media a saudade
E sempre que mediam, o que tinha mais saudade se entristecia
Ao ver que o outro, o mesmo não sentia
O que na ganhava na medida, perdia

E isso não durou por muitos dias
Aquela criação tinha até um intuito bonito,
Mas eles não queriam mais aquela máquina
E assim decidiram quebrá-la

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Suspeitas dos suspeitos

Houveram tiros no edifício,
Além de um homicídio e um consequente assassino
Sem saber sobre o autor dos disparos, fecharam as portas do prédio
E lá dentro ficaram todos, o bandido e os, pra aquele crime, honestos

Para se safar, o malfeitor escondeu a arma
Mas o esconderijo não foi num lugar difícil
Por conta de toda aquela gente que ali estava,
E do tempo que não cooperava

E com o passar do tempo, uma pessoa achou...
Porém não se manifestou
Podem achar que sou o homicida - pensou
E mais alguns outros assim também fizeram, enquanto o tempo passou

Além disso, tinha também outro medo
Afinal, manifestar o achado provocaria o bandido
Mas qual medo superava o outro:
O de ser tido como suspeito ou testar a ira do misterioso indivíduo?

Por fim, por falta de provas,
Todos foram liberados, absolvidos
Nenhuma digital... Usavam luvas, estava frio
E posteriormente, ao passarem uns pelos outros, fingiam que nunca se viram

Novo endereço

Pra reunião semanal dos descontentes
Alugaram um novo salão
O anterior estava ficando feio
E pra falta de sorrisos, estava ficando cheio

Nomearam um novo diretor
Um senhor, que mesmo sem muitas ideias, assim iniciou
Ele propôs, na inauguração do novo espaço,
Abraços

Descrentes e indiferentes
Eles tentaram...
Alguns mesmo sentados, alguns três pequenos tapas,
Até que alguém, seja por cinismo ou ironia, deu uma risada

E do outro lado da sala
Outro, sem entender o riso, deu outra risada
E em poucos segundos, foi uma risaiada generalizada
Riam uns dos outros, sem saber o exato motivo, sem piada

O riso, exceto pra um, sem sentido
Foi o início
O bom humor, mesmo gerado por um oposto artifício
Foi bem-vindo 

E aquela reunião acabou com um ar estranho
O semeio da solidão não aconteceu
O novo diretor agradeceu
E propôs um novo nome pro novo letreiro

Saíram com alguns culpando os abraços,
Outros os risos
E embora na reunião seguinte ainda não houvesse um novo nome para o novo letreiro
O antigo não foi mais visto

terça-feira, 9 de julho de 2013

Menina doce

Era uma enorme subida
E a garota que vendia doces sabia...
Que antes mesmo da metade ela se cansaria
Quão íngreme era, tamanho o peso que ela levaria

Mas a garota era otimista...
E era insignificante o peso da vasilha,
Ao final da avenida,
Vazia

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Lembrado Pelo Destino: CAPÍTULO I: TOME CARTAS, TOME NOTAS

CAPÍTULO I
TOME CARTAS, TOME NOTAS

Sábado chuvoso, 15 de Janeiro de 1993. Sepultamento de seu filho.

Em 30 de Outubro de 1953 nascia Luiz Carlos Arruda em Goiânia, capital do estado de Goiás. Teve uma infância sem nenhuma atipicidade, e ao entrar na adolescência, por volta de seus 12 anos, estudando normalmente, Luiz Carlos começa a se tornar popular em seu colégio e passa a gostar daquilo, cativando cada vez mais pessoas e fazendo, todo dia, novos colegas e amigos.
Com 15 anos, definitivamente todo o colégio sabia quem era Luiz Carlos, que era bom nos esportes, destacava-se nas apresentações e tinham várias garotas como fãs.

Entre a adolescência e a juventude, Luiz Carlos perde alguns amigos e os vê em poucos meses esquecidos por aqueles que assim os chamavam: amigos.
Incomodado com aquilo, Luiz Carlos com seus 18 anos começa pensar em como fazer para que mesmo após sua morte ele fosse lembrado por muito tempo, como ele era naquele momento.
Fez estudos de estimativa de vida, e naquela época eram por volta dos 75 anos. Imaginou-se estando com os mesmo amigos, e sendo tão querido aos 75 e sorriu. Pensou em cultivar e cuidar de todas as amizades para aquele fim.
Mas e se houvesse algo que o impedisse de viver além dos 70? Sim, Luiz Carlos pensou nisso e inquieto, como sempre, ficou pensando em mecanismos para que se caso morresse, ninguém dele esquecesse. E após várias idéias, a que mais lhe aparentava razoável, ou que posteriormente lhe fizesse ter outra ideia melhor, foi escrever cartas. E certo dia, um dia próximo a esse da conclusão da ideia, começou a escrevê-las.
Cartas e mais cartas foram escritas, quase todos os dias, deixando desde simples fatos do dia até pedidos e supostos conselhos. Ele escrevia tudo como se já estivesse morto.
Passou-se um ano desde aquele pensamento, e já havia centenas de cartas escritas e a primeira ideia posterior advinda da ideia de escrever cartas foi a de ir à uma agência dos Correios e procurar saber se era possível programar para que as cartas fossem enviadas posteriormente, e assim o fez. Assim ele as deixaria no correio e anos depois elas começariam a ser enviadas. Mas recebeu a informação de que aquilo não era possível.
Um funcionário, de 29 anos, viu Luiz Carlos fazendo aqueles questionamentos à senhora atendente e ficou curioso. Foi falar...

- Ei, qual o motivo disso? De querer programar para que as cartas sejam entregues depois e não por agora? – perguntou José, o funcionário.

Luiz, que já saia do estabelecimento, virou ao ouvir José, e pensou e pensou...

- Por nada. Só uma curiosidade.

Saiu dali e ao andar alguns metros, repensou: “Será que aquele homem pode me ajudar?”

Voltou rapidamente e procurou José.

- Posso falar com você? Sou aquele cara que saiu daqui há pouco tempo, que perguntou sobre cartas programadas...

- Sim, sim... Pois não. Diga...

- Que horas você sai do trabalho? Preciso de algo e creio que você pode me ajudar.

- Do que se trata?

- É algo meio complexo e estranho, mas nada perigoso. É apenas sobre cartas programadas.

- Hum... Saio Às 19h.

- Posso te esperar aqui na saída?

José pensou um pouco, e motivado pela curiosidade concordou.

- Sim. Qual seu nome mesmo garoto?

- Luiz Carlos. E o seu?

- José...

- Ok. A gente se vê as sete José.

- Até...

Já eram quatro horas e alguns minutos quando Luiz saíra de lá. Chegando a sua casa e ficando lá por pouco tempo, Luiz, ansioso, saiu de volta, para esperar José. Seis horas...
A esperada hora demorava chegar, mas chegou.
Ao sair, José, que nem se lembrava tanto de Luiz, pegou sua bicicleta para ir embora, quando se lembrou. Olhou para os lados e viu Luiz Carlos se aproximando.

- Olá. Você está com pressa? – perguntou Luiz.

- Um pouco. Mas vamos lá, fale... Em que posso e ajudar?

- Ouça-me com atenção e não pense que sou louco, pois o que vou te contar é diferente, estranho e até um pouco ousado... Eu temo morrer e ser esquecido rapidamente, como eu vi acontecer com algumas pessoas. E escrevi e continuarei escrevendo cartas para que após a minha eventual, em relação ao tempo, porém certa morte eu possa ser lembrado. Resumindo é isso. Sei que não nos conhecemos e você pode muito bem ir embora rindo disso e nunca mais querer me ver, mas posso lhe adiantar que pagarei pelo que fizeres por mim e não lhe atrapalharei em nada. Seremos conhecidos apenas por nomes. Não quero sabe nada de sua vida.

José, obviamente, achou aquilo muita loucura e mesmo pensando que Luiz precisava de ajuda psicológica, resolveu atendê-lo, pois Luiz propôs dinheiro.

- Tudo bem. E como faremos isso?

- Tudo bem mesmo? Você acha que pode me ajudar? Como fará? Como programará as cartas para serem enviadas daqui a anos?

- Bem, você terá que confiar em mim, me dando as cartas, e na data que quiseres que elas sejam enviadas, eu as envio. Nisso terá o risco de eu morrer primeiro que você. Caso isso aconteça, nós, mantendo o contato, planejamos um lugar para que você pegue as cartas.

- Parece ser algo viável. Tudo bem.
Posso vir amanhã lhe trazer todas as que eu já escrevi?

- Sim. Apareça amanhã na minha saída e falamos sobre o pagamento, ok?!

- Fechado!

Despediram-se e ainda com dúvidas aflorando a mente, ambos foram embora.

Ao chegar em casa a ansiedade tomava conta de Luiz Carlos, e o que incomodava José era que ele não parava de pensar no jovem Luiz, com essa loucura das cartas.
Veio a noite, e ambos dormiram pensando no dia seguinte, cartas, dinheiro, vontade...

E assim amanheceu, correu-se as coisas demais, e eles se encontraram novamente, no fim do expediente, e Luiz Carlos, após acordar com José sobre o valor de modo de pagamento, entregou as cartas a ele, que as colocou em uma bolsa que ele levou especialmente para tal finalidade.

- Luiz, estudarei um bom lugar para guardar suas cartas e te falo. Creio que isso será breve.

- OK. Aqui está um adiantamento. Conforme eu escrever mais cartas vou lhe entregando e pagando.

Naquela época telefone era uma palavra nova, então eles trataram de anotar apenas endereço um do outro.
Foram embora e Luiz Carlos sentia aliviado com o feito.

Eram cartas endereçadas a amigos e amigas, eventuais filhos, filhas, esposa e aos pais...

O tempo corria e Luiz Carlos escrevia.

Começou uma nova época na vida do jovem, onde ele começou a zelar do futuro. Estudos e trabalho, posteriormente só trabalho, namorada...
Casou-se novo com uma de suas fãs da adolescência.
Garota linda de pela clara, cabelos escuros e olhos entre a claridade e a escuridão. Eduarda o fazia feliz.

Luiz Carlos tratava de manter o contato, ainda vivo, com todos os amigos que fizera. Era meio difícil, pois nem ele, nem os amigos tinham mais tanto tempo sobrando como antes, mas ele se esforçava.

28 anos, e se passaram 10, desde o primeiro encontro com José. Este amontoava cartas e mais cartas no lugar secreto combinado com Luiz.


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CAPÍTULO II: CURIOSIDADE, ABRA

(...)

sábado, 15 de setembro de 2012

Além

Foi algo passageiro pra ela...
É algo duradouro pra ele
Quando se conheceram restava a ela três meses

Sabendo, ele a tratava com o maior capricho
Agradá-la não era nenhum desperdício
Afinal estavam apaixonados, no superlativo

As más línguas diziam que tudo aquilo era pena,
Que seria diferente não fosse a doença

Mesmo que em tamanha maldade houvesse alguma coerência, não faria nenhuma diferença
Era nítido que ela se afeiçoaria independentemente da sentença
E apesar de momentos de dor, a garota sempre sorria
Ela mesma disse que aqueles últimos eram os melhores dias da sua vida

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Talvez ninguém tenha dito amém

Eram muito jovens quando se casaram
Não deve ser amor - especulavam
Veio o tempo e com ele o descontentamento
E por conta de culpa, uma das partes cedia e reatava o relacionamento

Notava-se que era culpa, mas não sabia o porquê. Era segredo
Não se sabe se havia medo...
Era segredo

Morreram juntos; batida contra um bêbado
E junto com eles foram todos os defeitos, todos os segredos,
Inclusive o de que ele também estava bêbado

E pra contrariar o que havia sido dito no início
(Até que a morte os separe)
Lá estavam seus nomes ladeados na lápide

terça-feira, 12 de junho de 2012

Cartão

Desconfiava-se pelo andado,
Caminhava mirando e rápido
Enfim chegou, e também rapidamente saiu...
Mas dessa vez não sorriu

Com um semblante diferente da ida,
Entrou muito motivado e saiu emburrado
É que havia sido vendido
O presente que ele compraria para o dia dos namorados

sábado, 24 de março de 2012

DesaFeto

Não fazia o frio esperado, mas suas roupas, pra longe ou perto, não eram adequadas. A saia medida a dedos, a nádega marcada por palmada. E embora estivesse ela numa rodoviária, pelo seu comportamento, muito gente olhava.

Eram três da madrugada e ela chorava. Ninguém se importava. É sério... Olhavam, falavam e até cogitavam alguma reação de ajuda, mas não ajudavam. Prostituta! - pensavam. Não sabiam (e mesmo se quisessem era apenas por curiosidade) da condição social que ela tivera na infância, onde a mãe daquela moça a teve sem querer e a carregou por cinco anos como uma cruz, sem par, sem pai, sem paz... Um calvário voraz. Vagando de bar em bar, seu lar com teto de ar... Dava pra respirar. E voltando a fotografia que na mente dos que assistiam persistiria por um ou dois dias, lá estava aquela mulher, que nunca foi menina, chorando, pois acabara de saber que também teria uma filha.

sábado, 29 de outubro de 2011

Toma Teca

Teimosa desde a infância, Teca cresceu, mas sua teimosia permaneceu. E com a onda de os verdadeiros crentes estarem carentes, Teca foi com a maré pra descrer...
A sua teimosia era algo hereditário, só que seus pais estavam do lado contrário. E eram sempre as mesmas reações quando estes se encontravam. Eles tentavam reatar a crença dela e ela se aborrecia, pois achava aquela doutrina desonesta. Mas testemunhas afirmam que nas horas insuportáveis é na crença paterna que Teca se apega... Ela tira da gaveta aquele livro preto de capa velha, que sua mãe lhe deu numa das visitas da incrédula...
- Toma minha filha... - Mas pra que eu quero isso mãe?! - Vai minha filha, pega... É uma bíblia, ó Teca.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Resposta de graça

O pessimista tentou instigar o otimista, dizendo que seu otimismo era barato. Era esperada uma resposta rude, por parte daquele que instigava, e a resposta dada foi contrária: Não... Não chega a ser barato, pois não tem preço.... É dado.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Sentado

Ele se prostrou diante da imagem, fez sua prece e esperou ser atendido. Ele esperou, esperou e continuou esperando... E assim ele entendeu o termo 'santa paciência'.

Sem metros

Na tentativa de manter aquele amor à distancia, ele enviava cartas acreditando... Mas o tempo passava e mesmo inertes eles estavam cada vez mais distantes.
Veio o tempo em que conseguir um(a) amante seria algo sem nenhum esforço... Então ela resolveu respondê-lo com um ultimato: Quero você aqui, em carne e osso!

Criado por Tyago de Paula e Daniela Duailibe.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Visual

Ele guardava dinheiro, documentos, chaves, livros e discos em sua estante... E qualquer coisa que não fosse colocada ali, era facilmente esquecida ou tida como perdida. Conscientemente ele decidiu tirar a foto dela de lá. O porta-retrato ficou feio, mas em poucos dias já havia feito efeito.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O homem que não queria dormir

Ele tinha muitas inspirações e escrevia com frequência, achando ser uma perca de tempo dormir. Então ele escrevia enquanto podia e vivia relutando contra o sono, dormindo somente quando não conseguia mais ficar acordado.
Mesmo nessas lutas, ele ainda tinha inspiração. Eram como flashes que vinham à mente e ele tentava anotar. Quando acordava, via que seus últimos rascunhos, feitos no momento relutante antes de dormir, eram quase ilegíveis. As exceções eram numa proporção de poucas palavras para meia página.
E desses rascunhos, ele anotava as palavras legíveis em meio aos rabiscos, antes de jogar aquelas páginas quase imprestáveis fora, na intenção de novas inspirações...
Certo dia, ao folhear e ler essas palavras anotadas, ele percebeu que a maioria delas eram relativas à companhia.

Na busca insaciável por sua arte, ele despercebeu sua solidão.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Herói

Ele era conhecido como herói, mas sua reputação nunca foi boa. Ele levava esse nome por conta de sua principal companhia: heroína.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Mudança

Notaram que havia algo de estranho. O homem que mais se manifestava na congregação estava calado e cabisbaixo. Foram averiguar e viram que estava tudo bem, para os conformes daquele, pois ele dizia que iria viver para sempre... E sendo assim, foi morar em outro lugar.