terça-feira, 20 de setembro de 2011

O homem que não queria dormir

Ele tinha muitas inspirações e escrevia com frequência, achando ser uma perca de tempo dormir. Então ele escrevia enquanto podia e vivia relutando contra o sono, dormindo somente quando não conseguia mais ficar acordado.
Mesmo nessas lutas, ele ainda tinha inspiração. Eram como flashes que vinham à mente e ele tentava anotar. Quando acordava, via que seus últimos rascunhos, feitos no momento relutante antes de dormir, eram quase ilegíveis. As exceções eram numa proporção de poucas palavras para meia página.
E desses rascunhos, ele anotava as palavras legíveis em meio aos rabiscos, antes de jogar aquelas páginas quase imprestáveis fora, na intenção de novas inspirações...
Certo dia, ao folhear e ler essas palavras anotadas, ele percebeu que a maioria delas eram relativas à companhia.

Na busca insaciável por sua arte, ele despercebeu sua solidão.

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