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quinta-feira, 20 de abril de 2017

20 anos de silêncio

Eu não era o único nesse mundo
E apesar dos pesares, não me sentia inseguro
Naquele momento era somente eu, deitado no banco duro
Esperando o amanhecer futuro

E eu sei que aqueles garotos também não serão os últimos
Apesar de sabermos, nos surpreendemos com tanta desgraça nesse mundo
Eu não tive tempo de entender o porquê daquilo tudo
Mas acredito que eu nunca entenderia esses absurdos

Eu havia ido ali pra revindicar direitos
Era uma noite tranquila, nada suspeito
Cinco eram o número dos que disseram que queriam me dar um susto
A noite era fria, mas meu fim foi quente, rumo ao sepulcro

Eu não sou um ser de banda de música, um João fictício
Eu era um índio, Jesus dos Santos, Galdino
Eu fui queimado, por delinquentes, vivo
No centro de Brasília, Praça do Compromisso



Em 20 de Abril de 1997, Galdino Jesus dos Santos foi morto queimado, por cinco jovens brasilienses, em um ponto de ônibus próximo a Esplanada dos Ministério. Veja o desfecho aqui.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Descanso

Amanhaceu, levanta
A mente já despertou, e é ela que manda
A vida vem, sã
Mantenha até amanhã
Ela vem toda manhã
Sem espera, com pressa

Ela vem, com os dois pés no seu peito
Te obrigando a fazer direito
E que em caso de falha, vão te cobrar
Em caso de conquista, logo passará
A vida passa rápido
Ela é implacável

Toda vida a gente vive tentando viver
Da forma mais decente, pra morrer
E toda vida vem com uma morte de surpresa
E o paradoxo da alegria dar motivo pra tristeza
Ou vice-versa
O final não interessa

Quando você menos espera,
A vida te dá uma trégua...

terça-feira, 26 de novembro de 2013

SemAna

Ele descobriu que havia algo após a morte, e para ele era algo muito bom. Após aquilo, para Pedro, morrer passou a ter mais sentido, e mais, passou a ser algo querido. Pena que na descoberta ele soube que uma vez do lado de lá, ele se desligava totalmente do lado de cá. E tendo esse porém, a morte podia esperar... Afinal, Ana era um anjo.

Em sua descoberta, ele soube também que o suicídio não levava pra aquele lugar. E sua vida virou uma desgraça após a morte de Ana. Um bêbado ao volante a matou, o marcou...

Agora os dias de Pedro eram uma conta inexata a espera do seu fim. Pareciam infindáveis seus dias. E só havia se passado uma semana.

Ele havia perdido seu anjo, e estava prestes a perder o céu.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Prévio

Não é ruim morrer
Morrer é normal, é natural
Muita gente morre todo dia,
Sendo que no dia seguinte estavam bem vivas

Há o que lamentar para os que ficam,
Mas não para os que vão
Porém, mesmo se conformando com a inevitável ida,
Há um modo cruel de sofrer com a a própria morte...

Falo daquele modo em que você realmente sabe, por data, detalhe
Aquele modo medido, contado, fardo
Já se passaram dois meses, dos três
O médico me disse e já confirmou pela segunda vez

Com a notícia, além de alguns possivelmente sofrerem com minha partida,
Eu sofro, ainda em vida
Temendo sofrer após a despedida...
E isso é um inferno

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Suspeitas dos suspeitos

Houveram tiros no edifício,
Além de um homicídio e um consequente assassino
Sem saber sobre o autor dos disparos, fecharam as portas do prédio
E lá dentro ficaram todos, o bandido e os, pra aquele crime, honestos

Para se safar, o malfeitor escondeu a arma
Mas o esconderijo não foi num lugar difícil
Por conta de toda aquela gente que ali estava,
E do tempo que não cooperava

E com o passar do tempo, uma pessoa achou...
Porém não se manifestou
Podem achar que sou o homicida - pensou
E mais alguns outros assim também fizeram, enquanto o tempo passou

Além disso, tinha também outro medo
Afinal, manifestar o achado provocaria o bandido
Mas qual medo superava o outro:
O de ser tido como suspeito ou testar a ira do misterioso indivíduo?

Por fim, por falta de provas,
Todos foram liberados, absolvidos
Nenhuma digital... Usavam luvas, estava frio
E posteriormente, ao passarem uns pelos outros, fingiam que nunca se viram

terça-feira, 16 de julho de 2013

Do oitavo

Com garotos e até garotas
Ela gostava de flertar
O problema foi quando flertou com a janela...
Ela morava no 8° andar

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Lembrado Pelo Destino: CAPÍTULO I: TOME CARTAS, TOME NOTAS

CAPÍTULO I
TOME CARTAS, TOME NOTAS

Sábado chuvoso, 15 de Janeiro de 1993. Sepultamento de seu filho.

Em 30 de Outubro de 1953 nascia Luiz Carlos Arruda em Goiânia, capital do estado de Goiás. Teve uma infância sem nenhuma atipicidade, e ao entrar na adolescência, por volta de seus 12 anos, estudando normalmente, Luiz Carlos começa a se tornar popular em seu colégio e passa a gostar daquilo, cativando cada vez mais pessoas e fazendo, todo dia, novos colegas e amigos.
Com 15 anos, definitivamente todo o colégio sabia quem era Luiz Carlos, que era bom nos esportes, destacava-se nas apresentações e tinham várias garotas como fãs.

Entre a adolescência e a juventude, Luiz Carlos perde alguns amigos e os vê em poucos meses esquecidos por aqueles que assim os chamavam: amigos.
Incomodado com aquilo, Luiz Carlos com seus 18 anos começa pensar em como fazer para que mesmo após sua morte ele fosse lembrado por muito tempo, como ele era naquele momento.
Fez estudos de estimativa de vida, e naquela época eram por volta dos 75 anos. Imaginou-se estando com os mesmo amigos, e sendo tão querido aos 75 e sorriu. Pensou em cultivar e cuidar de todas as amizades para aquele fim.
Mas e se houvesse algo que o impedisse de viver além dos 70? Sim, Luiz Carlos pensou nisso e inquieto, como sempre, ficou pensando em mecanismos para que se caso morresse, ninguém dele esquecesse. E após várias idéias, a que mais lhe aparentava razoável, ou que posteriormente lhe fizesse ter outra ideia melhor, foi escrever cartas. E certo dia, um dia próximo a esse da conclusão da ideia, começou a escrevê-las.
Cartas e mais cartas foram escritas, quase todos os dias, deixando desde simples fatos do dia até pedidos e supostos conselhos. Ele escrevia tudo como se já estivesse morto.
Passou-se um ano desde aquele pensamento, e já havia centenas de cartas escritas e a primeira ideia posterior advinda da ideia de escrever cartas foi a de ir à uma agência dos Correios e procurar saber se era possível programar para que as cartas fossem enviadas posteriormente, e assim o fez. Assim ele as deixaria no correio e anos depois elas começariam a ser enviadas. Mas recebeu a informação de que aquilo não era possível.
Um funcionário, de 29 anos, viu Luiz Carlos fazendo aqueles questionamentos à senhora atendente e ficou curioso. Foi falar...

- Ei, qual o motivo disso? De querer programar para que as cartas sejam entregues depois e não por agora? – perguntou José, o funcionário.

Luiz, que já saia do estabelecimento, virou ao ouvir José, e pensou e pensou...

- Por nada. Só uma curiosidade.

Saiu dali e ao andar alguns metros, repensou: “Será que aquele homem pode me ajudar?”

Voltou rapidamente e procurou José.

- Posso falar com você? Sou aquele cara que saiu daqui há pouco tempo, que perguntou sobre cartas programadas...

- Sim, sim... Pois não. Diga...

- Que horas você sai do trabalho? Preciso de algo e creio que você pode me ajudar.

- Do que se trata?

- É algo meio complexo e estranho, mas nada perigoso. É apenas sobre cartas programadas.

- Hum... Saio Às 19h.

- Posso te esperar aqui na saída?

José pensou um pouco, e motivado pela curiosidade concordou.

- Sim. Qual seu nome mesmo garoto?

- Luiz Carlos. E o seu?

- José...

- Ok. A gente se vê as sete José.

- Até...

Já eram quatro horas e alguns minutos quando Luiz saíra de lá. Chegando a sua casa e ficando lá por pouco tempo, Luiz, ansioso, saiu de volta, para esperar José. Seis horas...
A esperada hora demorava chegar, mas chegou.
Ao sair, José, que nem se lembrava tanto de Luiz, pegou sua bicicleta para ir embora, quando se lembrou. Olhou para os lados e viu Luiz Carlos se aproximando.

- Olá. Você está com pressa? – perguntou Luiz.

- Um pouco. Mas vamos lá, fale... Em que posso e ajudar?

- Ouça-me com atenção e não pense que sou louco, pois o que vou te contar é diferente, estranho e até um pouco ousado... Eu temo morrer e ser esquecido rapidamente, como eu vi acontecer com algumas pessoas. E escrevi e continuarei escrevendo cartas para que após a minha eventual, em relação ao tempo, porém certa morte eu possa ser lembrado. Resumindo é isso. Sei que não nos conhecemos e você pode muito bem ir embora rindo disso e nunca mais querer me ver, mas posso lhe adiantar que pagarei pelo que fizeres por mim e não lhe atrapalharei em nada. Seremos conhecidos apenas por nomes. Não quero sabe nada de sua vida.

José, obviamente, achou aquilo muita loucura e mesmo pensando que Luiz precisava de ajuda psicológica, resolveu atendê-lo, pois Luiz propôs dinheiro.

- Tudo bem. E como faremos isso?

- Tudo bem mesmo? Você acha que pode me ajudar? Como fará? Como programará as cartas para serem enviadas daqui a anos?

- Bem, você terá que confiar em mim, me dando as cartas, e na data que quiseres que elas sejam enviadas, eu as envio. Nisso terá o risco de eu morrer primeiro que você. Caso isso aconteça, nós, mantendo o contato, planejamos um lugar para que você pegue as cartas.

- Parece ser algo viável. Tudo bem.
Posso vir amanhã lhe trazer todas as que eu já escrevi?

- Sim. Apareça amanhã na minha saída e falamos sobre o pagamento, ok?!

- Fechado!

Despediram-se e ainda com dúvidas aflorando a mente, ambos foram embora.

Ao chegar em casa a ansiedade tomava conta de Luiz Carlos, e o que incomodava José era que ele não parava de pensar no jovem Luiz, com essa loucura das cartas.
Veio a noite, e ambos dormiram pensando no dia seguinte, cartas, dinheiro, vontade...

E assim amanheceu, correu-se as coisas demais, e eles se encontraram novamente, no fim do expediente, e Luiz Carlos, após acordar com José sobre o valor de modo de pagamento, entregou as cartas a ele, que as colocou em uma bolsa que ele levou especialmente para tal finalidade.

- Luiz, estudarei um bom lugar para guardar suas cartas e te falo. Creio que isso será breve.

- OK. Aqui está um adiantamento. Conforme eu escrever mais cartas vou lhe entregando e pagando.

Naquela época telefone era uma palavra nova, então eles trataram de anotar apenas endereço um do outro.
Foram embora e Luiz Carlos sentia aliviado com o feito.

Eram cartas endereçadas a amigos e amigas, eventuais filhos, filhas, esposa e aos pais...

O tempo corria e Luiz Carlos escrevia.

Começou uma nova época na vida do jovem, onde ele começou a zelar do futuro. Estudos e trabalho, posteriormente só trabalho, namorada...
Casou-se novo com uma de suas fãs da adolescência.
Garota linda de pela clara, cabelos escuros e olhos entre a claridade e a escuridão. Eduarda o fazia feliz.

Luiz Carlos tratava de manter o contato, ainda vivo, com todos os amigos que fizera. Era meio difícil, pois nem ele, nem os amigos tinham mais tanto tempo sobrando como antes, mas ele se esforçava.

28 anos, e se passaram 10, desde o primeiro encontro com José. Este amontoava cartas e mais cartas no lugar secreto combinado com Luiz.


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CAPÍTULO II: CURIOSIDADE, ABRA

(...)

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Desde

Desejos são meio relativos,
De acordo com a época, com o dia
Mas um desejo meu que não acaba, nem esfria
É tê-la, aqui, de novo, viva

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Notícia rotina #5

Mais um morador de rua morreu. E o que chamou a atenção não foi o número exorbitante, pra tão pouco tempo, e sim o descaso. No início até que foi falado, mas ultimamente num rodapé tem sido noticiado.
O governo federal já interviu e numa operação da polícia civil, que tem no nome citação bíblica, os moradores sem moradia foram revistados e com eles encontrados, além de drogas, algumas armas. Pensam em se defender, penso. Faltou dizer, pra você que desconhece, que morreram matados. Sobre as drogas, nem é preciso discorrer que não surpreende ninguém o achado. Afinal, é quase sempre esse o fato de estarem nesse estado.

Mas qual o norte disso tudo? Não estou achando que a intervenção federal ou qualquer operação seja banal. Tem que fazer algo mesmo. É absurdo matar alguém só porque está sujo. Às vezes concordo com Veríssimo em que nada há nada menos civilizado que a civilização.

Mas a intervenção veio tratar qual mal? Dar casas, leia-se dignidade, ou ressuscitar? Pra muitos já se passou do terceiro dia. O número de mortos, até agora, já está em trinta.

sexta-feira, 8 de março de 2013

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Dizia

Se passaram décadas e perdurou a desgraça advinda de uma noite
Talvez por imprudência, talvez por culpa minha - dizia
Por um querer, sem querer
Do acaso, covardia...

E assim, prazer virou risco,
Doce se fez sal,
Sorte soou morte
Com a sequela de um único carnaval

sábado, 19 de janeiro de 2013

Culatra

Durante o discurso subiu ao palanque outro indivíduo e tentou disparar um tiro contra um líder político
E aquele povo tolerante que assistia, subitamente atacou o homem,
Deixando claro que não toleravam o homicídio
Porém, o atirador teve o fim que para o discursante era pretendido

Inspirado nessa notícia (vídeo).

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

sábado, 1 de dezembro de 2012

Deixe seu recado

Levantou mais cedo, ligou pros amigos e nenhum deles atendeu...
Zangou-se, mas não sabia ele que o poupavam, pois logo o mais querido dele faleceu.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Bastou um acorde
Pra eu me lembrar da sorte
Dos dias em que fui mais feliz
Eu sorri ao me lembrar de ti

Eu tentei segurar,
Mas eu não a tinha mais em mãos
E quando veio o refrão
Foi mais forte a emoção

É forte aquele acorde
Faz-me lembrar da morte
E do quanto eu sofri
Eu chorei e choro o fim

domingo, 14 de outubro de 2012

Incompletos

Ele faleceu num dia onde não havia planos de ser um dia diferente
Havia acordado normalmente...
Ele tinha incompletos vinte e cinco
E naquele dia ele havia acordado cantarolando Tempo Perdido

sábado, 15 de setembro de 2012

Além

Foi algo passageiro pra ela...
É algo duradouro pra ele
Quando se conheceram restava a ela três meses

Sabendo, ele a tratava com o maior capricho
Agradá-la não era nenhum desperdício
Afinal estavam apaixonados, no superlativo

As más línguas diziam que tudo aquilo era pena,
Que seria diferente não fosse a doença

Mesmo que em tamanha maldade houvesse alguma coerência, não faria nenhuma diferença
Era nítido que ela se afeiçoaria independentemente da sentença
E apesar de momentos de dor, a garota sempre sorria
Ela mesma disse que aqueles últimos eram os melhores dias da sua vida

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Além (edição)

Foi algo passageiro para ela, duradouro para ele...
Quando se conheceram restava a ela três meses.

Talvez ninguém tenha dito amém

Eram muito jovens quando se casaram
Não deve ser amor - especulavam
Veio o tempo e com ele o descontentamento
E por conta de culpa, uma das partes cedia e reatava o relacionamento

Notava-se que era culpa, mas não sabia o porquê. Era segredo
Não se sabe se havia medo...
Era segredo

Morreram juntos; batida contra um bêbado
E junto com eles foram todos os defeitos, todos os segredos,
Inclusive o de que ele também estava bêbado

E pra contrariar o que havia sido dito no início
(Até que a morte os separe)
Lá estavam seus nomes ladeados na lápide