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quinta-feira, 20 de abril de 2017

20 anos de silêncio

Eu não era o único nesse mundo
E apesar dos pesares, não me sentia inseguro
Naquele momento era somente eu, deitado no banco duro
Esperando o amanhecer futuro

E eu sei que aqueles garotos também não serão os últimos
Apesar de sabermos, nos surpreendemos com tanta desgraça nesse mundo
Eu não tive tempo de entender o porquê daquilo tudo
Mas acredito que eu nunca entenderia esses absurdos

Eu havia ido ali pra revindicar direitos
Era uma noite tranquila, nada suspeito
Cinco eram o número dos que disseram que queriam me dar um susto
A noite era fria, mas meu fim foi quente, rumo ao sepulcro

Eu não sou um ser de banda de música, um João fictício
Eu era um índio, Jesus dos Santos, Galdino
Eu fui queimado, por delinquentes, vivo
No centro de Brasília, Praça do Compromisso



Em 20 de Abril de 1997, Galdino Jesus dos Santos foi morto queimado, por cinco jovens brasilienses, em um ponto de ônibus próximo a Esplanada dos Ministério. Veja o desfecho aqui.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Poder, perdão

Era um homem que sempre repetia a oração ensinada por Jesus, e a fazia de forma atenciosa em cada frase.
Um dia, ele teve sua filha raptada e encontrou o homem que havia cometido tal crime. E estando a garota ainda em poder do raptador, esse pai tentou, de todas as formas que imaginou, arrancar daquele criminoso a informação do paradeiro de sua filha.
Após ter ido ao seu limite, e estando o criminoso quase sem vida,o homem foi orar, e as suas exatas e únicas palavras foram: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o Vosso nome. Venha a nós o Vosso Reino. Seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos daí hoje. Perdoai as nossas ofensas (silêncio).


Retirado e adaptado do filme Os Suspeitos (Prisoners), de 2013.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Suspeitas dos suspeitos

Houveram tiros no edifício,
Além de um homicídio e um consequente assassino
Sem saber sobre o autor dos disparos, fecharam as portas do prédio
E lá dentro ficaram todos, o bandido e os, pra aquele crime, honestos

Para se safar, o malfeitor escondeu a arma
Mas o esconderijo não foi num lugar difícil
Por conta de toda aquela gente que ali estava,
E do tempo que não cooperava

E com o passar do tempo, uma pessoa achou...
Porém não se manifestou
Podem achar que sou o homicida - pensou
E mais alguns outros assim também fizeram, enquanto o tempo passou

Além disso, tinha também outro medo
Afinal, manifestar o achado provocaria o bandido
Mas qual medo superava o outro:
O de ser tido como suspeito ou testar a ira do misterioso indivíduo?

Por fim, por falta de provas,
Todos foram liberados, absolvidos
Nenhuma digital... Usavam luvas, estava frio
E posteriormente, ao passarem uns pelos outros, fingiam que nunca se viram

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Mal necessário?

Sim, são bandidos, pois é crime o cometido
Dano é fato típico
Mas fica a pergunta após o pedido...
Teriam os mesmos resultados se os protestos fossem somente pacíficos?

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Que pena

Reduziram a maioridade penal
Dezoito pra dezesseis
E os adolescentes delinquentes foram pro xadrez
Agora é recrutar os ainda menores entre vocês

Quem tem treze pode vir
Quinze já tá quase no limite
Acima de dez a gente já permite
Vai ser um bom negócio pro crime

Reduziram mais ainda
Quatorze, quem diria...
Agora o máximo é doze pra entrar na minha
Aceito a partir de oito, menino ou menina

Eles queriam os adolescentes,
Ficamos com as crianças
Quem imaginaria, que um garotinho com um pirulito
Também também já sabe acionar o gatilho?

Estão querendo reduzir mais ainda
Chegar ao zero, desde que minta
Se preocupam em penalizar,
E eu me lembro bem que, lá no início, haviam alguns que priorizavam educar

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Loteria

De hora em hora o SBT informa...
E a cada hora, em relação a hora passada, aumenta o número de pessoas mortas
Em nossos dias, viver sem medo é quase uma loteria
Não bastam os desastres e as doenças, há ainda balas perdidas

A média de assassinatos no Brasil é superior à de guerras
E não falo só de favelas...
A média diária já deve passar dos cento e cinquenta
A Tele Sena, em números, se equipara ao Datena

Vivo ou Morto não é mais brincadeira
Tem governo que até lucra com essa trincheira
O Nascimento mostrou que não é besteira
Que se alastra do Rio por todo o Brasil

E te falo mais cidadão, já já você também perde a razão...
Pra votar você já perdeu, com razão
É que além da matança à balas, há ainda a corrupção
Que mata mais um monte com hospitais terroristas, miséria e desnutrição

E o pobre, maioria, continua na fila
Do SUS, INSS, loteria...
E os parlamentares continuam sentados, pois eles não precisam de apostar
Tem Cachoeira de dinheiro pra os bancar

Se eu falar de escola,
Lá vem eles com esmolas e ludibriar com cotas
Tem até professor sofrendo ameaça,
Como se não bastasse o salário que já é uma bosta

Eu vivo até bem, admito
Nunca levei um tiro
Mas já perdi amigo...
Por bala, pro crime, por desperdício de político

Aí você vai me dizer que é índole, que tem bandido por todo lado
Mas quero ver se ele fosse bem alfabetizado,
Se seu pai não tivesse sido a vida inteira roubado,
Se seu irmão não tivesse morrido num hospital precário,
E se fosse digno o seu salário...

Talvez não fosse o caso desses números de guerra estarem todos os dias nos jornais estampados
Talvez não fosse o caso de pessoas dominarem outras por conta do tráfico
Talvez fosse o caso de levantar cedo, ir trabalhar e ter a certeza de voltar vivo, embora cansado
Sem talvez, tudo seria melhor não fosse tamanho o descaso

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Enjaulados

Isso é uma crítica sobre os animais que vivem em jaulas e gaiolas, sejam em casas ou lojas.

ENJAULADOS

Em reunião dos líderes mundiais, decidiram tratar criminosos como animais vendendo-os, como fazem em pet shops. Estipularam os valores, assim como fazem com os animais, de acordo com as raças. De acordo com suas penas, eles eram vendidos ou alugados.
Após a venda ou aluguel, esses criminosos seriam monitorados pelo governo, mas de responsabilidade de seus respectivos donos. O Estado só interviria em casos excepcionais.
Era uma espécie de 'punição escravatura'... Essa decisão foi tomada para resolver o problema das superlotações populacionais carcerárias.

sábado, 13 de agosto de 2011

Fuga final

Três dias na selva e nada mais lhe resta
Fruto de fuga, sobreviver não lhe interessa
O ladrão perdeu o orgulho com as outras perdas
Foi predador, hoje presa, com os destinos morte ou cadeia

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Carta ao portador

Clique na imagem para ampliar
Carta deixada por Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, ex-aluno da Escola municipal Tasso da Silveira, que invadiu a escola e abriu fogo contra os alunos. Doze pessoas morreram, sendo dez meninas, um menino e o atirador (reprodução)

Veja galeria de fotos da tragédia e vídeo com imagens internas da escola.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Cento e uma horas

Calmaria!
Sentimento bom, embora advindo depois de grande tristeza, luta, agitação ou tempestade.
Não há mais tantas câmeras de tevê na, antes desconhecida por muitos, rua de Santo André. Não há mais tantos políciais naquela rua. Enfim a calmaria!

O maior tempo de duração em um sequestro na história do Brasil, pois pediram calma, pediram tempo, pediram demais.
Hoje questionam polícia e sequestrador! Quem errou? Quem errou mais? Onde erraram? Porque não fizeram isso ou aquilo?
Enfindos questionamentos para horas de conversa.

Uma onde de curiosidade e até de solidariedade moveu o Brasil por alguns dias, e tudo por culpa de um jovem desnorteado, que, com um sentimento possessório, quis ter, manter e ver a menina amada, mas o fez de modo trágico e cruel.
O sequestrador Lindemberg Alves, de 22 anos, não apenas teve, viu e manteve Eloá, sua ex namorada por mais de 100 horas. Ele acabou com a vida da menina.
Eloá, de apenas 15 anos, foi morta deixando mãe, pai, irmãos e amigos sem entender o motivo daquilo. Lindemberg, conhecido como Liso, não tinha antecedentes criminais. Era um bom rapaz segundo quem o conhecia. Entender, ninguém entenderá. Nem mesmo ele, Liso.

Agora, apesar da curiosidade, o fato nos faz pensar e lembrar de meninas como Eloá, e realmente nos comovermos com o ocorrido.

A calmaria, acrescida de um enorme vazio, paira na rua da menina de Santo André.

Calma, calma. Pediram calma demais. Agora a tenham! Porém por pouco tempo, pois logo clamarão... Justiça!