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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Consegui

Eu senti saudade
E espremi o máximo que podia pra tentar lhe falar
Não consegui, é óbvio
Tenho sido cada vez mais insensível, fóbico

Eu tenho vontade, claro
E até quis que soubesses
Mas não o fiz, fiquei dúbio
Meus dias tem sido cada vez mais escuros

Eu ainda sinto, mesmo que pouco, é nítido
Não sairiam essas linhas (inclusive a primeira), não fosse isso
Não tenho ligado para os vínculos
Tenho sido cada vez mais indiferente, difícil

E cadê você? Estás assim como eu, perdido?
Nem tenho tanto crédito, acredito
Mas falando em lógica, você aí e eu aqui...
É desperdício.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Sem sentido

Lembro-me bem...
Você usava uma blusa rosa,
Sandália e uma saia
E não saía da minha cabeça

Assim, vista após vista,
De vários ângulos, eu passei a te sentir
Bendito seja o tato, 
Bendito sejam seus lábios

Bendito sejam os sussurros, 
E aquela saliva que até hoje me intriga
Repito que é como droga,
Vicia...

Maldita seja a ânsia
Maldita seja a distância,
Que são sem sentido, pros sentidos,
Inacabadas

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Eco

Inspiração, piração
Insônia, ía
Querida, ida
Você, é      

Solidão, dão
Desgraça, de graça
Agressão, são
Consolação, ação  

Beijar, ar
Abraçar, ar
Tocar, ar
Vem, cá

Resposta, posta
Não, não
Repetidamente, mente    
Fuja, já

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

sábado, 31 de agosto de 2013

Saudadômetro

Não se viam com tanta frequência
E sempre que se viam falavam da saudade
Um falava que sentia mais, e o outro retrucava
Até que decidiram construir uma máquina...

Essa máquina media a saudade
E sempre que mediam, o que tinha mais saudade se entristecia
Ao ver que o outro, o mesmo não sentia
O que na ganhava na medida, perdia

E isso não durou por muitos dias
Aquela criação tinha até um intuito bonito,
Mas eles não queriam mais aquela máquina
E assim decidiram quebrá-la

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Ignore

Conversaram,
E entenderam que deveriam ignorar
E assim fizeram
(Ou desfizeram)

Ignoram as discrepâncias
Ignoram a distância,
Ignoram a ânsia,
Ignoram as lembranças
Ignoram a esperança

Ignoram as velharias e o que de novo haveria
E ignoram de novo
Ignoram tudo,
Inclusive um ao outro...

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Sim

Eu estive pensando nos anos,
Nos quilômetros,
Nos gostos e desgostos
E em possíveis desconfortos...

Mas quando eu te vi,
Eu não quis pensar

Chamada perdida

Era muito chão
Realmente um castigo
E o medo de perder,
Fizerem os dois perdidos

Em muitos quilômetros de exílio
Era algo aparentemente sem sentido
Oito números para serem como abrigo
Não foram suficientes, mas mero rápido alívio

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Horas mortas

Com a distância, centenas de telefonemas não bastaram
Estava tendo o efeito contrário
Quanto mais chamavam, mais desapegavam
Parados, mas (mais) se distanciavam

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Volta

Eu, em mais um ato de maldizer a distância,
Andei pensando em noites passadas
Quando a gente se entrelaçava,
Dormia e acordava com riso na cara

Agora, quando rolo, o outro lado está frio
E mesmo sendo um espaço pequeno, é grande o vazio
Volta...
As suas noites e as minhas serão bem melhores se fossem nossas

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Partida, partido

Ela está aqui, presente
Mas eu já a sinto ausente
Ela até me deixa contente
Mas me antecipo, descrente

Tem sido assim desde quando a viagem foi noticiada
Consolidou-se com a passagem comprada
Como é possível metade de mim estar aqui,
E a outra metade ser transportada?

sábado, 24 de novembro de 2012

Quatro dias

Ela me deu um presente de despedida:
Quatro dias
Ladeados a gente acordava e dormia
Porém ela não sabia o quão doloroso seria...
Qualquer lembrança aguça a saudade,
Que muito me castiga

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

1400

Não querendo crer que aquele roteiro era mais previsível que filme pornô,
Ele estava mais ansioso do que quando seguramos as últimas páginas de um livro com a mão direita
Era uma crença cega, uma vã espera
Ela havia partido pra longe dali dizendo manter a promessa
Mas após vários telefonemas, quilômetros é só o que resta

domingo, 14 de outubro de 2012

Desnorteados

No coração da nação dois corações se cativaram
Naturalmente se tornaram namorados
Alguns anos passaram bem rápido,
E inexplicavelmente aquilo parecia inabalável

Este é mais um conto fadado...
Por drama, por distância
E após incalculáveis promessas, vieram as quebras
Chegaram as responsabilidades e a sobrevivência tinha pressa

Corriam pra ver o dia seguinte nascer,
Sem saber se iriam se ver
Estudos e trabalho, rotineiro fardo
Percorrendo caminhos de desconhecidos traços

Num exame ele foi aprovado,
Mas o destino teimava em ser itinerário
Assim, pra ela não convinha mais ficar ali
Por fim acabou indo para o sul do país (...)

domingo, 2 de setembro de 2012

Você sabe

Mesmo quieta me inquietas
E mesmo à distância acontece...
Não ache isso uma ideia absurda
É que mesmo dizendo que não sabes me provocar, eu conheço bem suas curvas

sábado, 28 de julho de 2012

Amigavelmente

Sim, eu sempre quis sua amizade
Eu creio que esta pode ser comportada com os meus interesses
E eu tentei temperar isso medindo cautelosamente todos os meus dizeres
Mas inevitavelmente veio a intimidade, e assim a vontade pluralizou: vezes

Quantas vezes se contrastaram com minhas vontades...
A minha situação, a distância, a sua idade
E se for pra pecar por sinceridade,
Eu não estou um poço de honestidade

Minto, você sabe
Assim como sabes que lhe conto as verdades por conta da nossa intimidade
Maldade? Pode até ser...
Mas tem sido difícil discernir, me conter

Vem você, se tiveres algo pra me dizer
Eu só tenho a perder
Inclusive a sua amizade, sem querer
Eu já disse muito, embora seja tudo meio oculto... Boa noite pra você.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Mantenha distância

Sendo muito vulnerável, e tendo a mania de abrigar coisas que machucam, eu resolvi colocar um porteiro no meu coração. Eu quero uma ação que valha, e o querer com o sentir se contrasta. Querer te perder não basta. Te esquecer é uma atitude necessária. E como você ainda mora nele, eu disse pro porteiro barrar até a minha entrada.

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Criado por Tyago de Paula e Daniela Duailibe.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Desculpa

Comparo-te com outras moças
E mesmo quando pareces derrotada, ainda quero-te como esposa
Eu me lembro dos diálogos, da embriaguez com refrigerante,
Do agora e do antes

Comparo os nossos com outros momentos
E mesmo quando parecem, os nossos, derrotados, eu lembro que aquela euforia passa
Afinal, mesmo nela eu lembrei de você
Foi marcante a sua falta, foi grande o querer

Comparo sua pele com outras
Que cobre o corpo todo, como papel pro presente, toda linda
É branca, cheirosa e macia
Melhor ainda colada na minha

Comparando os quilômetros
Os seus são maiores, mas nessa queda perdem pros menores
Mas não se preocupe que entre metros e vontade
Essa segunda é mais forte

Comparando pensei: Será que cansei?!
O tempo eu culpei, talvez
Mas é que eu era, mais uma vez, o sozinho da vez
Da distância paciente, da saudade freguês

Parei de comparar...
Parei com isso, desperdício
Na solidão ofício, martírio
E como agora estou sozinho, acabei fazendo isso

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Reinvenção da roda

Há algum tempo os círculos de amizades eram cultivados à distância de alguns centímetros. Hoje essa cultivação é feita a medida de bytes.