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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Claro

Apesar de minhas mãos não estarem mais trêmulas
Eu não conseguia mirar
Eu tinha vários alvos,
Mas minha dificuldade era priorizar

A munição não iria durar muito tempo,
E logo ia anoitecer
Não era uma questão emocional,
Ia mais além, beirando algo existencial

Questionando o tempo, a longo prazo ou fracionado,
Cada novo segundo surgia mais pesado
Fazendo crescer aquele fardo, apesar de abstrato
Baseando-me em fatos, sonhos e possíveis fracassos

E olhando pro passado, parecia que seria perpétua aquela aflição
Mas nisso morava uma contradição
A aparência parecia se encerrar quando vinha a lembrança
De que antes de anoitecer eu deveria acabar com aquilo, querendo ou não

Essa era a teoria, mas bobeira minha...
Em achar que eu não podia errar
Afinal,  eu não tinha só um tiro
E mesmo errando, eu ainda estaria vivo, e o melhor, munido

E por fim veio o crepúsculo e sua claridade limite
Trazendo resquícios da aflição, mas sendo balanceada com  uma súbita calmaria
E ao fim do dia, eu havia acertado algo que imperceptivelmente estava há muito tempo na minha mira...
Ousaria dizer que aquilo era uma obra divina

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Vivo, sem querer

Aguente firme - ela disse.
Talvez por isso a dor ainda insiste
Embora segurar minha mão fosse em vão,
Aquilo mantinha as batidas do meu coração

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Plantação cordial

Naquele momento ideal, temperatura anormal das mãos
Olhares apenas se cruzam, sem fixação
Há o flerte sem certeza da reciprocidade,
Com timidez e disfarce

Noutro momento, com menos impasse
Vão lembrar sobre quererem que o outro momento continuasse...
Eis a semente plantada num chão chamado coração
E é só regar que nasce a paixão

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Condição

Se me der a sua, eu lhe dou minha mão
Se me der um abraço, eu também envolvo meus braços
Se me der um beijo, terás no meu, o meu desejo
Se me der essas coisas com paixão, eu lhe dou meu coração

terça-feira, 17 de março de 2009

Gratidão

Se eu fosse bater as devidas palmas pra Deus,
Eu teria que fazer a vida inteira
Sendo novo, na velhice,
Na riqueza e na pobreza

Se eu fosse bater as devidas palmas pra Deus,
Eu já deveria ter começado há muito tempo,
Teria que fazê-lo desde que começasse a bater meu coração,
Eu perderia minhas mãos

Se eu fosse bater as devidas palmas pra Deus,
Eu não faria mais nada
Teria que aplaudir durante a noite e durante o dia,
Eu jamais dormiria

Se eu fosse bater as devidas palmas pra Deus,
Eu teria que pedir ajuda
Milhões de mãos unidas aplaudindo,
Embora Ele ouvindo, seria pouquíssimo

Agradeço a Deus pelos anos passados,
Pelos anos vindos,
Pelos pais e amigos
E por Ele, que me mantém sempre sorrindo

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Ao som de Don't Look Back In Anger - Oasis.

O que há no blog em 17 de Março de 2008?

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Simetria


Estávamos num sofá
Numa massagem simétrica de pés
Eu nos dela e ela nos meus

Da massagem veio o carinho
Como se já não fosse
Do carinho veio os suspiros
Dos suspiros veio o frio

Chegou a hora
Ela tinha que ir embora
Sentou-se e olhou porta à fora

Segurei em sua mão, para que ela ficasse
Com se disso precisasse
Mas de pé ela já estava
Tornou a sentar-se

Das mãos ela tocou meu rosto
Já estava entendido
Que a simetria acima comentada
De pés e mãos trocadas, era apenas um disfarce

Mas havia quem já comentasse
Que havia reciprocidade dela para com ele
A história acaba no mesmo lugar
No sofá
Com beijos a trocar

Nesse fim de história marca o começa de outra
O fim é o começo
Simetria?
Avesso?