sábado, 24 de março de 2012

DesaFeto

Não fazia o frio esperado, mas suas roupas, pra longe ou perto, não eram adequadas. A saia medida a dedos, a nádega marcada por palmada. E embora estivesse ela numa rodoviária, pelo seu comportamento, muito gente olhava.

Eram três da madrugada e ela chorava. Ninguém se importava. É sério... Olhavam, falavam e até cogitavam alguma reação de ajuda, mas não ajudavam. Prostituta! - pensavam. Não sabiam (e mesmo se quisessem era apenas por curiosidade) da condição social que ela tivera na infância, onde a mãe daquela moça a teve sem querer e a carregou por cinco anos como uma cruz, sem par, sem pai, sem paz... Um calvário voraz. Vagando de bar em bar, seu lar com teto de ar... Dava pra respirar. E voltando a fotografia que na mente dos que assistiam persistiria por um ou dois dias, lá estava aquela mulher, que nunca foi menina, chorando, pois acabara de saber que também teria uma filha.

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