Era noite e viajávamos ladeados enquanto o ônibus atravessava a cidade, tendo as luzes inconstantes de poste em poste, fazendo você sumir e aparecer. Mas em cada aparição era como se eu estivesse te vendo pela primeira vez. Deslumbrado com a beleza e com tudo aquilo ao meu alcance. Sim, eu sei, foi um curto romance, mas a intensidade daquele instante, cheio de segredos e totalmente cativante, é guardada com carinho apesar das milhares de milhas que nós percorremos, não mais adolescentes, não mais ladeados. Lembro-me detalhadamente daquele momento raro. Tudo estava aguçado: visão, audição, paladar, tato e olfato. Fato! E lhe tive por algumas horas, e após irmos embora, e tendo aquele sentimento incompleto, eu percebi que aquele seria o nosso fardo. De termos algo grandioso, porém inacabado... Perpetuado, nesse caso, por ser frequente a dúvida: Como seria caso (...)? Se destino ou acaso, lembrado, relembrado.
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